domingo, 5 de julho de 2026

Treze Copas no Coração

Não é culpa dos rissoles
,nem da torta de ricota
Tão somente ao salto altose deve a nossa derrota.

Foi em setenta e oito
que nasceu esta paixão;
vi o Brasil sem derrota,
sem chegar à decisão.

Em oitenta e dois, sonhei
com arte dentro do campo;
Zico, Sócrates, Falcão,
Rossi quebrou todo encanto.

México, nova esperança,
Zico voltou machucado;
nos pênaltis veio a França,
e o sonho ficou calado.

Em noventa, a Argentina
num só lance nos tirou;
Maradona abriu caminho,
e Caniggia completou.

Vieram vinte e quatro anos
de jejum e agonia;
Romário fez a promessa,
Baggio deu-nos alegria.

Em noventa e oito, a França
fez da final meu tormento;
Ronaldo entrou sem sorriso,
e me faltou pensamento.

Mas dois mil e dois chegou,
com Ronaldo a renascer;
dois gols dentro da final,
e o penta pude viver.

Em dois mil e seis, de novo,
muita estrela reunida;
Zidane mandou no baile,
França ganhou a partida.

Em dois mil e dez, na África,
vi vantagem escapar;
Melo fez gol e vermelho,
Holanda pôde passar.

Lá em dois mil e catorze,
o Mineirão ficou mudo;
sete golpes da Alemanha
me fizeram perder tudo.

Na Rússia, o sonho caiu,
num desvio traiçoeiro;
fez a Bélgica avançar,
sofri o tempo inteiro.

No Catar, outra esperança
foi nos pênaltis desfeita;
a Croácia nos feriu
numa tarde imperfeita.

Em vinte e seis, nova Copa,
com a fé toda refeita;
Noruega nos venceu,
e a conta estava feita.

Dois mil e dois foi o penta;
desde então, seis vezes não.
Alê riu: “Já somos hexa
de perder a decisão!”

São treze Copas na alma,
ora festa, ora dor;
mas a cada quatro anos
volto a crer com mais amor.

O hexa segue fugindo,
não abandono a missão;
visto a camisa de novo
e entrego meu coração.

Autor: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.



sábado, 14 de março de 2026

Recalculando Rotas

De vez em quando

é preciso parar.

Não para desistir,
nem para voltar atrás.

Parar
apenas para alinhar os passos.

Os caminhos continuam os mesmos,
os sonhos também.

Mas algumas placas mudam de lugar,
algumas trilhas ficam mais claras,
algumas ideias encontram
um espaço melhor para florescer.

É assim que a vida segue:
entre passos e ajustes,
entre silêncio e recomeço.

Se você notar algo diferente por aqui,
saiba que é apenas isso:

um pequeno cuidado
com o caminho que estamos construindo.

Porque inspirar a vida
também exige, às vezes,
organizar a própria jornada.