Foi em setenta e oito
que nasceu esta paixão;
vi o Brasil sem derrota,
sem chegar à decisão.
Em oitenta e dois, sonhei
com arte dentro do campo;
Zico, Sócrates, Falcão,
Rossi quebrou todo encanto.
México, nova esperança,
Zico voltou machucado;
nos pênaltis veio a França,
e o sonho ficou calado.
Em noventa, a Argentina
num só lance nos tirou;
Maradona abriu caminho,
e Caniggia completou.
Vieram vinte e quatro anos
de jejum e agonia;
Romário fez a promessa,
Baggio deu-nos alegria.
Em noventa e oito, a França
fez da final meu tormento;
Ronaldo entrou sem sorriso,
e me faltou pensamento.
Mas dois mil e dois chegou,
com Ronaldo a renascer;
dois gols dentro da final,
e o penta pude viver.
Em dois mil e seis, de novo,
muita estrela reunida;
Zidane mandou no baile,
França ganhou a partida.
Em dois mil e dez, na África,
vi vantagem escapar;
Melo fez gol e vermelho,
Holanda pôde passar.
Lá em dois mil e catorze,
o Mineirão ficou mudo;
sete golpes da Alemanha
me fizeram perder tudo.
Na Rússia, o sonho caiu,
num desvio traiçoeiro;
fez a Bélgica avançar,
sofri o tempo inteiro.
No Catar, outra esperança
foi nos pênaltis desfeita;
a Croácia nos feriu
numa tarde imperfeita.
Em vinte e seis, nova Copa,
com a fé toda refeita;
Noruega nos venceu,
e a conta estava feita.
Dois mil e dois foi o penta;
desde então, seis vezes não.
Alê riu: “Já somos hexa
de perder a decisão!”
São treze Copas na alma,
ora festa, ora dor;
mas a cada quatro anos
volto a crer com mais amor.
O hexa segue fugindo,
não abandono a missão;
visto a camisa de novo
e entrego meu coração.
Autor: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.


